Na corrida para reduzir as emissões da indústria, a pergunta não é apenas como produzir hidrogênio de fontes renováveis, mas em que lugar ele deve ser usado. Uma análise apresentada na FAPESP Week Países Baixos aponta que, para o aço destinado ao mercado europeu, pode fazer mais sentido processar o metal no Ceará do que exportar hidrogênio para fabricar o produto na Europa.
Segundo o estudo, produzir o aço no Brasil reduziria em 25% as emissões de carbono. A conclusão desloca o foco de uma etapa específica da cadeia — a exportação de hidrogênio — para o resultado final: entregar um material de menor impacto ambiental ao consumidor industrial.
O argumento também é econômico. A estratégia analisada diminuiria os custos operacionais para as indústrias consumidoras europeias. Isso importa porque a transição energética não depende somente de tecnologias disponíveis, mas de soluções que possam ser incorporadas pelas empresas sem tornar o produto final inviável.
Há ainda um efeito regional: a produção no Ceará poderia gerar empregos no Nordeste, em vez de concentrar no exterior as etapas de maior valor da cadeia. Para o Brasil, a discussão envolve mais do que exportar energia ou matérias-primas; envolve decidir se o país participará apenas do fornecimento de insumos ou também da fabricação de produtos industriais.
A análise não transforma o aço verde em uma solução automática. Ela indica uma alternativa de organização da cadeia produtiva que combina redução de emissões, custos menores para consumidores europeus e atividade econômica no Brasil. O próximo debate, portanto, é menos sobre vender hidrogênio isoladamente e mais sobre capturar aqui parte do valor criado pela transição energética.
Fontes consultadas
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Fonte: Léo Fontenele.
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