O dólar fechou abaixo de R$ 5 nesta sexta-feira (23), com queda de 1,58% na semana. A bolsa brasileira também subiu no último dia útil antes do segundo turno das eleições presidenciais, enquanto investidores ajustaram posições antes da votação de domingo (25).
O câmbio importa para além do mercado financeiro. Quando o dólar recua, produtos importados e componentes comprados no exterior podem ficar relativamente mais baratos em reais. Esse efeito também pode aliviar custos de empresas que dependem de insumos estrangeiros, embora a transmissão para os preços finais não seja automática.
O contraponto veio do petróleo, que avançou mais de 3% e atingiu o maior patamar desde abril. O movimento foi associado ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Como combustíveis e diversos custos de transporte têm relação com o petróleo, uma alta persistente da commodity pode pressionar despesas de empresas e o orçamento das famílias.
Na prática, a combinação observada nesta sexta-feira tem efeitos opostos: o real mais valorizado reduz a pressão de produtos e insumos cotados em dólar, enquanto o petróleo mais caro pode aumentar custos ligados à energia e ao transporte. O resultado sobre a inflação dependerá da duração de cada movimento e de como eles serão repassados ao consumidor.
O dado de um único dia não define uma tendência para o câmbio. Os próximos pontos de atenção são a reação dos mercados ao resultado eleitoral de domingo, a evolução das tensões no Oriente Médio e a permanência do petróleo em níveis elevados. Esses fatores ajudarão a indicar se o alívio do dólar terá continuidade ou será compensado por novas pressões externas.
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