Notícias Caminhos da Reportagem 28/09/2026 – 23:30
A inteligência artificial (IA) afeta diretamente a democracia ao mudar a forma como a informação e a desinformação circulam na sociedade. Palavras como IA, deepfake, deepnude, chatbot e alucinação aparecem por aí e já fazem parte do nosso vocabulário. Para as eleições deste ano, o uso da IA é uma preocupação real.
Inteligência artificial é a capacidade de sistemas e máquinas simularem habilidades humanas, como aprender, analisar informações, tomar decisões e gerar respostas. Atualmente, vídeos, áudios e imagens gerados por IA tornam cada vez mais difícil distinguir o real do fabricado, enquanto campanhas políticas, órgãos de fiscalização e plataformas digitais travam uma corrida para acompanhar toda essa transformação digital.
Sérgio Lüdtke, jornalista e editor-chefe do Comprova, projeto da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), explica que a nossa atenção, principalmente nas redes sociais, é muito precária. Como o conteúdo produzido por IA é normalmente fragmentado, e as pessoas não têm acesso ao contexto, elas podem se enganar com facilidade. “Uma peça de desinformação pode mudar o resultado de uma eleição. Como mexe com a decisão das pessoas, isso pode causar grandes problemas para a nossa democracia”, afirma.
A influência da IA nas eleições é um foco de atenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabeleceu as regras para seu uso nas propagandas eleitorais. Por exemplo, a IA não é proibida, mas quando for usada pelos candidatos em áudios, vídeos, textos e imagens, é preciso que isso seja avisado de forma clara e destacada. As plataformas de redes sociais que detectarem desinformação, o que muita gente chama de fake news, tem que tirar esse conteúdo do ar imediatamente.
O escritor e professor de Direito Eleitoral Digital Diogo Rais chama a atenção para a responsabilidade dos eleitores. Ele afirma que é comum que apoiadores façam por conta própria conteúdos eleitorais. “Fica a dúvida, a justiça eleitoral pode e deve fiscalizar como ela fiscaliza os candidatos? A resposta é que a nossa legislação não faz distinção. A nossa legislação acaba dizendo o seguinte: quem publica o conteúdo é responsável por ele”.
Cabe à Polícia Federal investigar conteúdos criminosos e seus autores. Segundo o delegado da Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais da PF, Henrique Oliveira Santos, o maior problema é com perfis nas redes sociais de pessoas que não são candidatas, e que imaginam que a internet é um ambiente sem lei. “O que não é verdade, porque nós temos ferramentas de investigação para encontrar não só a materialidade, mas também descobrir autorias”, reforça.
Projetos de checagem de informações e de educação são realizados em todo o país com objetivo de informar as pessoas para que elas não sejam manipuladas. Um exemplo é a Coar Notícias, um site criado no Piauí para combater a desinformação. Desse projeto nasceram os manuais regionais de checagem de notícias. O primeiro deles foi o do Nordeste, o “Arriégua”, e depois surgiram os manuais das outras regiões. “Não é só informar, é entender o que as pessoas realmente querem entender de onde elas recebem informação, mas de onde elas também são. Quando eu entendo de onde elas são, o impacto daquela informação na vida delas, no cotidiano delas, traz mais impacto”, afirma Marta Alencar, pesquisadora e criadora do Coar.
Outros projetos apostam na educação digital de crianças, adolescentes e idosos. O Sesc do Distrito Federal oferece cursos de letramento digital para idosos. A professora Gabriela Araújo da Paz, que dá aula para essa faixa etária, explica que o uso da IA é trabalhado em no curso para que os alunos possam distinguir o que é uma notícia falsa e em quais canais oficiais buscar informações. Rosa Correia Mento, de 69 anos, diz que a IA sempre foi um “bicho-papão” e que não queria saber disso. “Aqui a professora me convenceu de que era bom, importante eu saber, e hoje eu estou bem melhor do que antes”.
O impacto da IA nas eleições é o tema do programa Caminhos da Reportagem desta segunda-feira (28/09), às 23h30 na TV Brasil e no canal da TV Brasil no YouTube.
Ficha técnica
Reportagem: Carina Dourado
Produção: Carolina Oliveira
Apoio à produção: Acácio Barros, Ana Graziela Aguiar e Cleiton Freitas
Reportagem cinematográfica: Rogerio Verçosa e Sigmar Gonçalves
Apoio à reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco, JM Barboza e Osvaldo Alves
Auxílio técnico: Alexandre Souza
Apoio ao auxílio técnico: Dailton Matos, Edivan Viana, Eduardo Guimarães, José Carlos Mota, Hugo Madureira, Marcelo Vasconcelos, Rafael Carvalho e Thyago Pignata
Edição de texto: Flávia Lima
Montagem e finalização de imagem: André Eustáquio
Artes: Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia
24/09/2026 – 16:50
Tags:
Eleições inteligência artificial letramento digital
Fonte: TV Brasil — por suzana.alves, publicado em 24/09/2026 17:59.
Conteúdo republicado sob licença CC BY 3.0 BR.






