O dólar encerrou a semana perto de R$ 5,45, depois de avançar cerca de 1% na sexta-feira (30). Na soma dos cinco dias, a alta passou de 9%, o maior avanço semanal desde a crise financeira de 2008. Ao mesmo tempo, o Ibovespa caiu 0,75% no último pregão, aos 167,9 mil pontos, e registrou a pior queda semanal desde março de 2020.
O movimento mostra uma mudança brusca na percepção dos investidores sobre os ativos brasileiros. Segundo o balanço divulgado pela Agência Brasil, o mercado ajustou posições após a reeleição do presidente. Quando há uma onda de venda de ativos locais e busca por moeda estrangeira, o dólar sobe e a Bolsa recua — combinação que sinaliza maior pressão financeira, ainda que não determine sozinha o rumo da economia real.
Para as famílias, o câmbio não aparece apenas na cotação exibida nas telas. Uma moeda americana mais cara tende a elevar o custo, em reais, de produtos importados e de insumos comprados no exterior. O efeito pode chegar ao consumidor por meio de preços mais altos, dependendo de quanto empresas conseguem absorver ou repassar desse aumento.
O impacto também alcança empresas que dependem de componentes, máquinas ou matérias-primas estrangeiras. Nesse caso, a alta do dólar aumenta despesas e pode reduzir margens, adiar investimentos ou pressionar os preços finais. Por outro lado, exportadores passam a receber mais reais por receitas em moeda americana, embora o resultado dependa das características de cada negócio.
O principal ponto a observar adiante é se a valorização do dólar ficará concentrada no mercado financeiro ou se avançará para os preços e para as decisões do setor produtivo. O fechamento de outubro, com a maior alta semanal da moeda desde 2008 e forte recuo do principal índice da B3, coloca o câmbio entre os indicadores centrais para acompanhar os efeitos econômicos após a reeleição presidencial.
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