A estagnação ou a redução de benefícios sociais e previdenciários pode atingir mais do que a renda das famílias que recebem esses recursos. Um levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), indica que o efeito também pode se espalhar pela atividade econômica de cidades do interior.
O estudo destaca o peso das aposentadorias, do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) nessas localidades. Para as famílias mais pobres, esses pagamentos chegam a representar quase metade do orçamento. Isso faz com que qualquer interrupção, redução ou perda de poder de compra tenha impacto direto sobre a capacidade de pagar despesas essenciais.
O mecanismo é relativamente simples: quando o benefício entra, parte do dinheiro é usada no comércio e na contratação de serviços do próprio município. Se esse fluxo diminui, as famílias compram menos, e os negócios locais podem enfrentar queda nas vendas. Por isso, o efeito de uma mudança na política social não fica restrito ao orçamento federal ou ao domicílio que recebe o pagamento.
Segundo o levantamento, a consequência pode ser uma retração severa da atividade econômica em municípios do interior. A vulnerabilidade é maior onde os benefícios têm presença relevante na renda das famílias e, por consequência, no movimento de estabelecimentos que dependem do consumo local.
O dado coloca a proteção social também como uma questão de economia regional. Ao avaliar mudanças em aposentadorias, Bolsa Família e BPC, é necessário observar não apenas o valor transferido aos beneficiários, mas o impacto sobre o consumo das famílias e sobre a circulação de renda nas cidades que dependem desses recursos.
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