As mudanças climáticas são reconhecidas como uma questão importante pela maioria dos brasileiros, mas ainda não ocupam o primeiro lugar na lista de preocupações. É o que mostra um levantamento com 1.800 pessoas: 91% defendem a adoção de medidas de preservação ambiental e querem que os candidatos às eleições de 2026 apresentem propostas para enfrentar o problema.
Na hora de apontar os temas mais urgentes, porém, a ordem muda. Segurança pública e criminalidade aparecem em primeiro lugar, citadas por 49% dos entrevistados. Em seguida, estão o aumento do custo de vida e a inflação, além de saúde e educação. Para quem enfrenta despesas maiores no dia a dia, a prioridade é resolver o impacto imediato sobre o orçamento.
Essa diferença ajuda a explicar por que uma agenda climática precisa ser apresentada também pelo seu efeito econômico. Não basta tratar de preservação ambiental como uma pauta isolada: as propostas dos candidatos terão de dialogar com as preocupações que já pesam sobre as famílias, especialmente o custo de vida e a inflação.
O levantamento não indica rejeição às políticas ambientais. Ao contrário, o índice de 91% mostra que existe reconhecimento amplo da importância do tema. O que aparece é uma disputa por espaço entre uma preocupação considerada relevante e problemas percebidos como mais imediatos pela população.
Para as eleições, o ponto de atenção será saber como os candidatos vão transformar essa preocupação ambiental em propostas capazes de conversar com as urgências econômicas. O eleitorado, segundo a pesquisa, quer respostas para o clima, mas também espera que elas considerem a pressão sobre o orçamento das famílias.
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Fonte: Rubens Studart.
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