Projetos de reflorestamento voltados principalmente à captura de carbono podem produzir um resultado incompleto: retirar carbono da atmosfera, mas formar florestas com pouca diversidade. Um levantamento realizado na Mata Atlântica e no Cerrado aponta que o uso repetitivo de poucas espécies gera ambientes ecologicamente empobrecidos.
O alerta foi apresentado por um pesquisador da UFSCar durante a FAPESP Week Países Baixos. A questão central não é abandonar a captura de carbono, mas evitar que ela seja tratada como único critério para avaliar a qualidade de uma área reflorestada.
Para quem não é da área, a diferença importa porque uma floresta não é apenas um conjunto de árvores que armazena carbono. Quando os projetos usam repetidamente poucas espécies, o resultado pode deixar de representar a diversidade vegetal dos biomas onde essas áreas estão sendo recuperadas.
O levantamento coloca em evidência uma tensão presente em políticas e iniciativas de restauração: uma métrica ambiental relevante pode esconder perdas em outra dimensão. A captura de carbono pode ser parte da solução, mas o estudo indica que a composição das plantas também precisa entrar na avaliação.
O recado é especialmente importante para programas que pretendem conciliar restauração e resposta às mudanças climáticas. Sem considerar a diversidade, o reflorestamento corre o risco de cumprir uma meta específica e, ao mesmo tempo, entregar florestas menos ricas do ponto de vista ecológico.
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Fonte: Léo Fontenele.
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