O debate sobre as contas públicas ganhou uma disputa de diagnósticos. De um lado, o economista André Lara Resende, integrante da equipe que elaborou o Plano Real, afirma que as taxas de juros elevadas do Banco Central contribuem para o desequilíbrio fiscal que deveriam ajudar a combater. A crítica coloca o custo dos juros no centro da discussão sobre a trajetória da dívida.
O mecanismo é direto: quando os juros permanecem altos, aumenta a despesa do governo com os títulos usados para financiar a dívida pública. Isso pode dificultar a tarefa de estabilizar as contas, mesmo quando o governo busca controlar outras despesas. A avaliação de Lara Resende é que o país deveria adotar novas regras para despesas e juros, em vez de tratar o corte de gastos como resposta principal.
Na mesma direção, um manifesto divulgado por economistas e outros especialistas questiona a pressão para que o governo eleito adote um programa de redução de despesas com o objetivo de estabilizar a dívida. O documento defende um novo regime fiscal, menos rígido que o atual arcabouço, além de propor a tributação dos mais ricos em lugar de cortes em despesas sociais.
As alternativas têm efeitos diferentes sobre a população. A redução de gastos sociais pode atingir diretamente programas e serviços públicos, enquanto a elevação de tributos sobre os mais ricos deslocaria parte do esforço de ajuste para a arrecadação. Já a discussão sobre os juros envolve o custo de financiamento do governo e, por consequência, o espaço disponível para outras políticas públicas.
O que está em disputa não é apenas o tamanho do ajuste, mas sua composição e a regra que vai orientá-lo. Será preciso observar se o debate avançará para mudanças no regime fiscal, na meta de inflação e na tributação, ou se prevalecerá a estratégia de concentrar o esforço no controle das despesas sociais. Por enquanto, as propostas representam posições em confronto, e não uma decisão adotada.
Fontes consultadas
- Economista de Plano Real acusa BC de causar rombo fiscal via juros
- Economistas propõem taxar ricos em vez de cortar gastos sociais
Rubens Studart é uma assinatura editorial do oPulso, não uma pessoa: esta coluna foi produzida por inteligência artificial a partir de fontes públicas, sob curadoria da redação.
Fonte: Rubens Studart.
Conteúdo republicado sob licença Conteúdo original do oPulso.

