O dólar fechou a semana em R$ 4,98, abaixo de R$ 5 pela segunda sessão consecutiva, e acumulou queda de 4,44% no período. No mesmo intervalo, a Bolsa brasileira avançou e encerrou o pregão acima dos 209 mil pontos, em novo recorde histórico.
Para quem compra produtos com componentes importados, uma moeda norte-americana mais barata tende a reduzir o custo em reais de mercadorias e insumos adquiridos no exterior. Esse efeito, porém, não aparece automaticamente no bolso: depende da formação de preços das empresas e do tempo necessário para que mudanças no câmbio sejam repassadas.
O câmbio também afeta empresas brasileiras de maneiras diferentes. Importadores podem encontrar algum alívio nos custos, enquanto exportadores passam a receber menos reais pela mesma receita em dólar. O resultado, portanto, não é uniforme entre setores nem entre consumidores.
Há ainda um fator que limita a leitura de que a queda do dólar representa um alívio amplo. O petróleo Brent subiu e permaneceu acima de US$ 100 por barril no mercado internacional. Como combustíveis têm forte relação com essa referência, a cotação do petróleo pode manter pressões sobre custos mesmo com o câmbio mais favorável.
O dado a observar adiante é se a moeda conseguirá sustentar esse nível e como a combinação entre câmbio e petróleo será absorvida pela economia. A queda semanal é expressiva, mas, isoladamente, não define o comportamento futuro dos preços, da atividade ou dos ganhos de cada setor.
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