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Repórter Brasil Tarde 25/09/2026 – 12:15
O voto é facultativo para um a cada sete brasileiros. São mais de 22 milhões de pessoas, entre jovens de 16 e 17 anos, analfabetos e idosos acima dos 70 anos. Apesar de não serem obrigadas a votar, muitas fazem questão de ir às urnas agora em outubro. Vamos acompanhar em mais uma reportagem da série “Seu Voto, Sua Voz”.
Davi e Fátima estão juntos há mais de 50 anos. Ele tem 75, e ela, 72. Uma vida em comum, inclusive na assiduidade nas urnas. Os dois fazem questão de votar, mesmo sem ter mais obrigação. O voto é facultativo para quem tem mais de 70 anos.
“Pra mim, votar é exercer a cidadania e a gente ter o direito de cobrar também”, afirma o empresário David de Sousa Correia.
Para a funcionária pública aposentada Fátima das Graças Teixeira Correia, “o voto é precioso. O termo que eu daria é precioso. Eu acho que não é nem obrigação, é como você comer, é uma necessidade”.
Pela primeira vez, no Brasil, há mais idosos do que jovens. Atualmente, 15,81% da população tem 60 anos ou mais (32.113.490), frente a 14,69% dos brasileiros com idades de 15 a 24 anos (29.842.405). E a mudança demográfica vai refletir no percentual de eleitores aptos a votarem. Houve um acréscimo de mais de quatro milhões de eleitores (4.566.099) com mais de 60 anos das últimas eleições gerais em 2022 para a deste ano, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral.
“É a população que nasceu nos anos 50 e 60… É a maior coorte de nascimentos que já houve, que já houve nesse país, desde que a gente tem registro de dados. Então é a maior coorte. E ela não só nasceu muito, como ela sobreviveu muito”, explica Ana Amélia Camarano, economista e especialista em estudos populacionais.
O casal viveu a juventude durante a ditadura militar, período em que não havia eleições. A experiência do período autoritário mostrou que não se abre mão do direito ao voto. “Tem gente que não tem essa dimensão da importância do voto. Mas ela, sei lá, eu acho que se a gente não puder votar, você não pode escolher seu representante, depois como é que você vai fazer, vai reclamar com quem?”, comenta Fátima das Graças.
De acordo com Bruno Schaefer, professor de ciência política do IESP, “os regimes autoritários, eles não são vivenciados pelas pessoas da mesma forma, segundo coortes de classe, raça e gênero. Então, provavelmente pessoas idosas mais escolarizadas tendem a valorizar mais a democracia e votar mais. Agora, talvez para pessoas idosas com escolaridade mais baixa, o valor do voto esteja em políticas públicas, proteção social, a Previdência, enfim…”.
Grande parte do eleitorado, hoje, está concentrado na idade adulta. Pessoas com 70 anos ou mais (16.212.086 eleitores) representam 10,27% dos eleitores. Já os eleitores com menos de 18 anos (3.571.159 eleitores) somam 2,25% do eleitorado nacional. O voto também é facultativo para esta faixa etária.
Para Ana Amélia Camarano, “quem vota 70 plus, quem vota é uma pessoa que tem uma consciência da importância do voto e que ela vai votar, enquanto os jovens hoje estão crescendo num mundo muito mais individualizado. a história de vida das pessoas também, também determina isso”.
Se considerarmos o número total de adolescentes brasileiros, a participação nas urnas é pequena: apenas 20,3% tiraram o título de eleitor para votar nas eleições deste ano. Nós conversamos com adolescentes que fazem questão de votar porque sabem que os representantes eleitos hoje podem tomar decisões que afetam o futuro deles.
De acordo com a estudante Sophia Morais de Freitas Borges, de 16 anos, “podemos deixar só os adultos tomarem a decisão por nós, sabe? As nossas opiniões políticas, nosso senso crítico também tem que ser ouvido”.
Sofia, Vitória Emanuelle e Lucas estudam numa escola pública no Rio de Janeiro. Mas Sophia é a única que se dedica integralmente aos estudos. Lucas e Vitória já trabalham. Ele, numa corretora de seguros da prima. Vitória, com estética. Uma das preocupações é emprego.
“Eu acho que desde cedo é importante a gente já criar essa mentalidade de que a gente pode mudar as coisas, mesmo que não seja de forma direta, as eleições elas ajudam indiretamente. Porque, é isso, a gente escolhe as pessoas certas para defenderem o que a gente acredita ser certo e que vai ajudar a população de alguma forma”, afirma o estudante Lucas Pullig Dorea, de 16 anos.
De acordo com a estudante Vitória Emanuelle Barbosa da Silva, de 16 anos, “a gente pensa ‘ah, a gente é adolescente, o nosso voto não vai mudar’, mas faz toda a diferença. Faz a diferença, porque se juntar vários adolescentes, a gente consegue algo melhor. Por exemplo, quantos adolescente já não fizeram a diferença, se juntando para falar sobre política, e mudou realmente aquilo, sabe?”
Jovens e adultos, apesar de mais escolarizados, enfrentam o desemprego e a informalidade. Os idosos, por sua vez, dependem ainda mais do sistema público de saúde e da Previdência. Ou seja, são grupos que, apesar de não precisarem votar, dependem de políticas públicas.
“O voto é o critério básico e mínimo para a democracia e é o instrumento mais poderoso que, principalmente as pessoas mais pobres, têm de alterar políticas públicas. Porque pessoas mais ricas tem acesso aos políticos de outras formas, grupos organizados sem acesso aos políticos, de outras formas. O lobby, grupos de interesse, o voto ele é o poder de barganha que especialmente as pessoas mais pobres, têm, então ele é extremamente essencial”, reforça o professor Bruno Schaefer.
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Fonte: TV Brasil — por suzana.alves, publicado em 25/09/2026 16:58.
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