A seca não teve o mesmo efeito sobre todos os produtores de uvas do Vale do São Francisco. Segundo estudo conduzido na Unicamp, a produção cresceu entre 2011 e 2019, período marcado por estiagem, em uma região onde a irrigação permite manter os vinhedos em funcionamento.
O dado ajuda a separar duas ideias que costumam aparecer juntas: a agricultura pode se adaptar à falta de chuva, mas essa adaptação não acontece sem condições materiais. A irrigação depende de energia, infraestrutura e tecnologia, e esses fatores têm peso direto na capacidade de produzir.
É nesse ponto que o resultado deixa de ser apenas uma notícia sobre uvas. Para quem não trabalha com agricultura, ele mostra que enfrentar secas não significa apenas adotar uma técnica. Também é preciso ter acesso aos sistemas que tornam essa técnica viável — e o estudo expõe diferenças entre pequenos produtores e empresas.
A experiência do Vale do São Francisco indica que a irrigação pode proteger a produção em períodos de estiagem, mas não elimina a desigualdade entre quem consegue investir e quem enfrenta limitações de infraestrutura e tecnologia. A resposta à seca, portanto, combina conhecimento agrícola com acesso a recursos básicos para colocá-lo em prática.
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Fonte: Léo Fontenele.
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