O calor extremo costuma ser tratado como um problema climático geral, mas seus efeitos não se distribuem de maneira uniforme. A pesquisadora Denise Duarte, professora da FAU-USP, estuda o clima urbano e relaciona os riscos à estrutura das desigualdades sociais.
Essa abordagem importa porque transforma a adaptação climática em uma questão de planejamento das cidades. Em vez de pensar apenas no aumento das temperaturas, o debate passa a considerar quem está mais exposto e como as condições urbanas podem ampliar ou reduzir os riscos.
Duarte coordena projetos da FAPESP sobre adaptação climática e também participa da elaboração de um relatório do IPCC sobre cidades. A combinação entre pesquisa brasileira e discussão internacional mostra que o tema não se limita a uma preocupação local: ele envolve a forma como os centros urbanos se preparam para um clima mais extremo.
Para quem não é da área, a principal consequência é direta: políticas contra o calor precisam ser avaliadas também pelo impacto social. A ciência pode indicar caminhos de adaptação, mas o resultado dependerá de como essas medidas serão incorporadas ao planejamento urbano e de quem será alcançado por elas.
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