Notícias Caminhos da Reportagem 24/08/2026 – 23:00
Um imenso universo verde. Dados do IBGE estimam que cerca de 30 milhões de pessoas vivem hoje na Amazônia Brasileira. Quase 9 milhões delas, 29,9%, estão no Pará. Embora não se tenha números exatos, por causa da dificuldade do recenseamento, muitos paraenses vivem às margens dos rios, que por lá são as verdadeiras estradas. Que tudo conectam e a todos lugares levam esses ribeirinhos.
Mas uma realidade é recorrente para quem vive neste bioma: a dificuldade de acesso à saúde. Em 2025, quando todos os olhos se voltaram para o Brasil, mais especificamente para Belém, por causa da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, o Sesi lançou uma nova ferramenta de saúde. O Copaíba, que leva o nome de uma planta ancestral da Amazônia, foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará, e quer levar atendimento médico a toda essa população amazônica de beiradeiros, como são conhecidos os moradores das beiradas dos rios.
De maio até julho deste ano, o barco já realizou 534 atendimentos com médicos especialistas na modalidade teleconsulta. Nossa equipe de reportagem acompanhou a chegada do Copaíba até Abaetetuba, cidade paraense a 120 quilômetros de Belém. Com 72 ilhas fluviais, nem sempre é possível ter acesso a médicos pediatras, como nos explicou a pescadora Regiane Macedo Chaves. Ela buscava atendimento para o filho de cinco anos e viajou cerca de uma hora de barco até a embarcação. “Ele fez uma cirurgia para retirar a vesícula. Aí quando completou um mês, a barriga dele se estendeu muito, né? Começou a dar febre. E eu parei aqui para dar uma olhada. Faz quatro anos se atendimento assim, de pediatra.”, afirma Regiane.
Atender pessoas como Regiane e o filho dela é o principal objetivo do Copaíba, como explicou o diretor-presidente do Sesi, Paulo Mol. “Esse barco é a conquista de uma nova etapa para trabalhar a saúde dentro do Sesi. O Copaíba é uma homenagem {a arvore que cura, né, tão importante para a região norte. E ele traz acolhimento, traz essa cura utilizando ações que são mais tradicionais, no acompanhamento, mas com tecnologia.”
Acompanhamento médico com tecnologia que Marilak da Silva Sardinha, pescadora e moradora de uma comunidade ribeirinha da região de Abaetetuba, também buscou. Ela fez uma consulta com um clinico geral e a filha pequena dela, Maria Lunna, com uma pediatra. “Não tem pediatra na minha comunidade. Só clínico mesmo. E quando vem, vem com senhas limitadas. Quando a gente precisa de atendimento, a gente precisa correr para Abaetetuba. Não tem o que fazer.”, conta.
Se a tecnologia embarcada neste gigante fluvial leva saúde aos ribeirinhos, uma outra tecnologia do Sesi também mudou a vida de uma comunidade indígena de Vitória do Xingu, a 700 quilômetros de Abaetetuba. Por aqui, o ensino de robótica já é realidade para os estudantes indígenas. Nossa equipe de reportagem foi até a Escola Municipal Indígena Francisca de Oliveira Lemos Juruna, localizada na Aldeia Boa Vista, para conhecer esses estudantes – os Jurubabots.
A equipe, criada em 2024, conquistou neste ano o Prêmio Revelação na etapa nacional da First Lego League (FLL), em São Paulo. No Brasil, a FLL é promovida anualmente pelo Sesi. O diretor da escola, Fernando Juruna, falou da emoção de todos envolvidos com a premiação: “Foi um momento muito importante porque a gente acabou levando para o mundo as práticas culturais da nossa ancestralidade através da robótica.’’
Os robôs chegaram até a escola de Fernando a partir de uma “mãozinha” de uma escola parceira, o Sesi de Altamira. Uma parceria que, segundo Ricardo Alban, presidente da CNI, é uma marca das escolas do Sistema S. “Nós gostaríamos de ser um catalisador e através das nossas escolas, escolas de referência, levar um padrão de ensino mais homogêneo possível, obviamente adequado às particularidades regionais de cada região. Para que a gente possa contribuir para uma melhor percepção da importância da indústria, melhorando o nível de escolaridade dos nossos jovens.”, ressalta.
E a robótica já transformou a educação na comunidade. E os dados mostram isso: a escola alcançou o segundo lugar municipal no ranking do IDEB, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que é o principal indicador da qualidade do ensino básico no Brasil. E foi a escola com melhor evolução nos últimos dois anos.
Para o Presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, essa transformação é mais do que esperada através de novos mecanismos e ferramentas educacionais, como é o caso da robótica. “Você chega numa escola numa condição bastante diversa da média das escolas do Brasil, numa comunidade bastante carente. E ao você introduzir a proposta de educação tecnológica, ela se articula com as demandas regionais, com as demandas territoriais e, no caso deles, com as demandas culturais e de preservação da cultura dos povos originários. E essa costura faz com que aquela escola avance bastante na capacidade de educação.”
Em 80 anos, o Sesi promoveu diversos projetos de educação e de saúde, além de ações na cultura, lazer e no esporte.
O Caminhos da Reportagem “Trilhas do futuro, Sesi 80 anos”, vai ao ar no dia 24 de agosto, às 23h, e conta um pouco dessas décadas de história. Vai mostrar também como esses projetos conectam o Sesi de hoje, com o passado e com o futuro.
Ficha técnica:
Reportagem: Ana Graziela Aguiar
Apoio à reportagem: Cíntia Vargas e Carina Dourado
Produção: Acácio Barros e Ana Graziela Aguiar
Reportagem cinematográfica: Cadu Pinotti e JM Barboza
Auxílio técnico: Jone Ferreira e Eduardo Domingues
Apoio à reportagem cinematográfica: Sigmar Gonçalves e Rogério Verçoza
Colaboração técnica: Marcelo Vasconcellos, Rafael Carvalho e Raimundo Nunes.
Técnico Operacional: Yuri Ledesma
Edição de texto: Cátia Rodrigues
Edição e finalização de imagem: André Eustáquio
Arte: Aleixo Leite, André Maciel e Caroline Ramos
20/08/2026 – 16:20
Tags:
Sesi 80 anos do Sesi Amazônia barco copaíba
Fonte: TV Brasil — por suzana.alves, publicado em 20/08/2026 18:21.
Conteúdo republicado sob licença CC BY 3.0 BR.







