A desigualdade econômica não se limita à diferença entre salários, patrimônios e oportunidades. Segundo relatório publicado pela Oxfam Brasil, a concentração de riqueza também se reflete na política: pessoas ricas estão presentes no poder em proporção maior do que sua participação na sociedade.
O mecanismo apontado pela entidade é direto. Quando grupos que acumulam mais riqueza ocupam espaço desproporcional nas decisões públicas, aumentam as chances de que leis e regulações sejam formuladas sem favorecer a distribuição de recursos. A desigualdade, nesse caso, deixa de ser apenas um resultado econômico e passa a influenciar as regras que organizam a economia.
Para quem está fora dos centros de decisão, isso significa que o acesso à renda e aos serviços não depende somente do desempenho do mercado de trabalho ou do crescimento da produção. Também depende das escolhas feitas pelo poder público sobre como distribuir recursos e estabelecer regras. Se essas escolhas não enfrentam a concentração, a distância entre os grupos tende a permanecer incorporada ao funcionamento das instituições.
O relatório Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia chama atenção, portanto, para uma retroalimentação: a riqueza facilita maior presença na política, e essa presença pode resultar em decisões que preservam a concentração de recursos. A questão econômica passa a ser, ao mesmo tempo, uma questão de representação e de equilíbrio de poder.
O dado mais importante a observar adiante não é apenas a evolução da renda, mas também quem participa das decisões e quais efeitos distributivos produzem as leis e regulações. A redução da desigualdade exige avaliar essas duas dimensões em conjunto: a distribuição dos recursos e a distribuição da influência política.
Fontes consultadas
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Fonte: Rubens Studart.
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