A terceira fase do Desenrola começa a ganhar forma com a previsão de que bancos e outras instituições financeiras apresentem até R$ 90 bilhões em dívidas antigas para renegociação. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que também anunciou o início do processo de habilitação de bancos e fundos interessados em vender essas carteiras à União.
O mecanismo previsto é diferente de um simples programa de parcelamento oferecido diretamente por cada banco. As instituições poderão transferir créditos antigos para o governo, desde que atendam às regras do edital. Com isso, a União passa a concentrar a operação de renegociação desses débitos, enquanto bancos e fundos recebem uma alternativa para se desfazer de carteiras consideradas de difícil recuperação.
Para quem tem uma dívida incluída, a principal possibilidade é trocar um débito antigo por condições de pagamento mais acessíveis. Ainda não há, no briefing, detalhes sobre quais devedores poderão participar nem sobre prazos, taxas ou número de parcelas. Por isso, o valor de R$ 90 bilhões representa o volume que poderá ser levado pelas instituições ao programa, não uma garantia de que toda essa dívida será renegociada.
O governo estima que a compra de todo esse montante teria custo máximo de R$ 9 bilhões, considerando o desconto mínimo de 90% exigido pelo programa. A diferença entre o valor das dívidas e o desembolso estimado é central para entender a proposta: créditos antigos seriam adquiridos com abatimento elevado, permitindo que a União assuma a operação por um valor muito menor que o total nominal dos débitos.
O próximo ponto a observar é a adesão dos bancos e fundos ao chamamento. Só depois dessa etapa será possível saber quanto dos R$ 90 bilhões previstos será efetivamente ofertado e quais condições chegarão aos consumidores. Para as contas públicas, a referência de R$ 9 bilhões funciona como teto estimado para a primeira etapa; para os endividados, o resultado dependerá das carteiras que forem apresentadas e das regras finais de renegociação.
Fontes consultadas
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