A indústria brasileira mostrou sinais de perda de fôlego em agosto. O faturamento da indústria de transformação recuou 3,5%, segundo os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no segundo mês consecutivo de queda.
O dado não aparece isolado: também houve redução das horas trabalhadas e da utilização da capacidade instalada. Em termos práticos, as fábricas passaram a operar com menos tempo de trabalho e uma parcela maior de sua estrutura ficou ociosa. Esse conjunto sugere uma atividade industrial menos intensa, com possível impacto sobre a demanda por serviços ligados à produção e sobre a renda de trabalhadores do setor.
O quadro, contudo, não é uniforme. A produção de veículos alcançou 268,3 mil unidades em setembro, alta de 10,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior e o melhor setembro desde 2014. Na comparação com agosto, houve queda de 1,1%, mas o acumulado de janeiro a setembro ainda registrou crescimento de 8,7% ante o mesmo período do ano passado.
Essa diferença mostra que um segmento pode sustentar resultados positivos enquanto a indústria como um todo perde ritmo. A fabricação de veículos teve desempenho anual melhor, mas não foi suficiente para impedir a retração do faturamento agregado da indústria de transformação em agosto.
O próximo ponto a observar é se a redução das horas trabalhadas e do uso das fábricas continuará ou se ficará concentrada naquele período. A resposta ajudará a indicar se a desaceleração industrial foi pontual ou se começa a atingir de forma mais ampla a produção e o emprego no setor.
Fontes consultadas
- Faturamento da indústria cai 3,5% em agosto, informa CNI
- Produção de veículos tem melhor setembro desde 2014, diz Anfavea
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Fonte: Rubens Studart.
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