A expansão urbana não transforma apenas a paisagem. Na Região Metropolitana de São Paulo, ela está associada a um processo descrito como colapso ecológico em riachos, com perda de biodiversidade e enfraquecimento das interações entre os organismos desses ambientes.
O problema importa porque essas relações ecológicas não são um detalhe restrito aos pesquisadores. Segundo o estudo, elas comprometem a filtragem natural da água que abastece mais de 22 milhões de habitantes da região. Quando um riacho perde diversidade e equilíbrio, também perde parte de sua capacidade de cumprir funções úteis para a sociedade.
A expressão “filtragem natural” ajuda a traduzir a dimensão do achado: a qualidade da água depende não apenas de estruturas construídas e de tratamentos posteriores, mas também do funcionamento dos ecossistemas. A degradação dos riachos, portanto, conecta uma mudança local — a urbanização — a uma questão de interesse metropolitano.
Isso não significa que cada efeito sobre o abastecimento esteja quantificado no material disponível, nem que a pesquisa autorize uma conclusão sobre toda a rede de água da região. O que o estudo mostra é uma relação preocupante entre a expansão urbana, a perda de biodiversidade e o comprometimento de uma função ecológica relevante.
Para quem vive longe de um laboratório ou de um curso d’água, a mensagem é direta: preservar riachos urbanos não é apenas proteger espécies. É também manter sistemas naturais que ajudam a sustentar a qualidade da água em uma das maiores concentrações populacionais do país.
Fontes consultadas
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Fonte: Léo Fontenele.
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