Wednesday, 28 October 2026
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Seu Voto, Sua Voz: desafios ao voto dos povos originários

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Repórter Brasil Tarde 28/09/2026 – 12:15

O eleitorado indígena cresceu 84% nessas eleições. Passou de 155 mil registros, em 2024, para 287 mil, agora em 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Um número que, embora maior, ainda não retrata o tamanho dessa população no Brasil. 

Nesse episódio da série “Seu Voto, Sua Voz”, nós conversamos com lideranças indígenas para entender quais são os principais desafios às candidaturas e ao voto dos povos originários. 

Até a Constituição de 1988, povos indígenas viviam sob a tutela do estado brasileiro. Eram compreendidos pela legislação como pessoas sem capacidade civil plena. 

Foi por meio da Constituição cidadã que eles obtiveram o reconhecimento da autonomia para organizar a própria vida de acordo com as devidas tradições, línguas e modos de viver. Entre esses direitos está o de votar e ser votado. Até a Constituição de 1988, somente os indígenas considerados integrados poderiam participar dos pleitos eleitorais, de acordo com as normas do estatuto do índio, de 1973. O voto era facultativo nas aldeias.

De acordo com a professora da UFF Cora Hagino, “esse estatuto foi criado na época da ditadura. Então, a visão que se tinha do indígena, inclusive no próprio estatuto, chamam de silvícula. Então é uma visão de selvagem que deveria ser aculturado, né? Nesses termos e trazido a integração nacional da sociedade não indígena”.

Hoje o cenário é diferente. “Em 2022 nós tivemos cinco deputados federais eleitos e é fundamental que essas lideranças sejam de fato eleitas e possam representar seus povos, e não só seus povos, toda a comunidade brasileira. Porque o Brasil ele é pluricultural, ele é plurilinguista”, complementa Cora Hagino. 

Para as eleições gerais deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral efetuou o registro de 196 candidaturas indígenas, o maior número desde 2014, quando o TSE passou a processar informações de cor ou raça nas candidaturas.

De acordo com a Apib, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a participação indígena na disputa pelos mandatos eletivos aumentou mais de 120% nos últimos 12 anos. Mas algumas Barreiras não diminuíram, como ameaças e a violência política. 

Segundo Cora Hagino, “hoje a gente tem lideranças indígenas assassinadas no nosso país. A gente tem lideranças ameaçadas de morte, né? Isso faz com que as pessoas acabem se afastando desse espaço de protagonismo”.
No teclado das urnas, o número dos eleitores autodeclarados indígenas está em descompasso com os números do Censo de 2022. O Brasil tem cerca de 1,7 milhão de indígenas de quase 400 etnias diferentes.

Mas, no cadastro da Justiça Eleitoral, apenas 290 mil eleitores se autodeclaram indígenas. Para mudar essa realidade, uma campanha do TSE este ano oferece transporte gratuito para que indígenas aldeados ou com dificuldade de acessar as urnas consigam votar. 

Para o coordenador-executivo da Apib, Dinamam Tuxá, “sabemos que para a democracia, todo o voto contra todo o voto é importante. Hoje, sem sombra de dúvida, houve grandes avanços e nós vamos avançar ainda mais para que todas as terras, na sua totalidade, tenham acesso às urnas, inclusive pensando também nas especificidades dos povos que não falam a língua, né? Na língua portuguesa”.

Muitas lutas históricas dos povos indígenas continuam vivas por meio de diversas lideranças pelo país, Urutau Guajajara luta pelos direitos indígenas na Terra Aldeia Marakanã. A resistência contra a especulação imobiliária e diversas formas de violência.

Ao lado do estádio mais famoso do Brasil, resiste o sonho de uma educação em que os povos originários sejam protagonistas. O projeto de uma universidade indígena para o prédio atualmente em ruínas. “O Brasil ainda está engatinhando ainda para criar a primeira universidade, mas nós já discutimos universidades há 20 anos”, afirma José Urutal Guajajara, líder da Aldeia Marakanã.

Povos indígenas se orgulham do protagonismo na agenda da preservação do meio ambiente na mitigação das mudanças do clima. “Quem preservou as florestas, a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica foram e serão os povos originários, povos indígenas, mas também quilombolas, caiçaras, ribeirinhos. Esse crédito tem que ser dado a eles”, diz Cora Hagino. 

“Vai ser com base de muita luta que nós vamos garantir as candidaturas indígenas, as urnas nas aldeias e futuramente, quem sabe, o presidente indígena, né, ocupando a maior cadeira em termos de poder no país”, explica Dinamam Tuxá.

“Eu não posso desistir de resistir. Nós não vamos desistir, porque senão a gente pede mais de 500 anos de resistência, mais de 500 anos. Não vamos desistir. Não vamos desistir”, afirma José Urutal Guajajara.
 

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Seu voto Sua Voz eleitorado indígena eleições 2026

Fonte: TV Brasil — por suzana.alves, publicado em 28/09/2026 17:31.

Conteúdo republicado sob licença CC BY 3.0 BR.

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