A prévia da inflação oficial ficou em 0,70% em setembro, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE. É a maior alta desde abril, quando o índice havia avançado 0,89%, e representa uma mudança brusca em relação à deflação de agosto, que foi de 0,40% negativo.
O principal motivo da aceleração foi a devolução do bônus de Itaipu. O desconto havia reduzido a conta de luz no mês anterior; com sua retirada, a despesa voltou a pesar na comparação mensal. Na prática, uma família que recebeu a fatura beneficiada pelo bônus passou a enfrentar uma conta sem esse abatimento em setembro.
Esse movimento ajuda a explicar por que a inflação sentida no orçamento pode mudar rapidamente mesmo quando o avanço médio dos preços parece limitado. Um desconto temporário reduz o índice em um mês e, quando deixa de existir, contribui para uma alta no mês seguinte. O efeito, portanto, não representa necessariamente uma mudança igual em todos os produtos e serviços.
O número divulgado é uma prévia, não o resultado definitivo da inflação de setembro. Por isso, a leitura exige separar o impacto específico da energia elétrica do comportamento dos demais preços. Para quem organiza as despesas, a conta de luz é o item mais diretamente afetado pelo dado desta divulgação.
O ponto a acompanhar é se a pressão observada na energia ficará concentrada nesse efeito de comparação ou se aparecerá acompanhada por novas altas em outros componentes do índice. Essa distinção será importante para avaliar se a aceleração foi pontual ou mais disseminada.
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Fonte: Rubens Studart.
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