Saturday, 12 September 2026
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PF apura possível uso de dinheiro público na produção de Dark Horse

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Repórter Brasil 10/09/2026 – 19:00

A Polícia Federal realizou hoje (10) uma operação para apurar desvios de verbas públicas na produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. A suspeita é de que o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, tenha destinado emendas parlamentares para financiar a produção do longa-metragem. 

Para se ter a dimensão do esquema — classificado pela Polícia Federal como organização criminosa —, foram cumpridos hoje 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, contra 29 pessoas e 24 empresas. Segundo as investigações, essas empresas estariam envolvidas em uma espécie de circuito fechado para movimentar o dinheiro público e financiar o filme. Entre os alvos, estão o deputado federal Mario Frias e a empresária Karina da Gama, dona da produtora do longa. Durante as ações, foram apreendidos um carro de luxo e sete armas registrados em nome do parlamentar.

De acordo com os investigadores, o esquema funcionava da seguinte forma: R$ 2 milhões provenientes de emendas parlamentares foram destinados a uma ONG de Karina da Gama, o Instituto Conhecer Brasil. Em seguida, o montante era transferido para as empresas citadas e retornava para Karina por meio da produtora Go Up, responsável pelo filme. As investigações revelam ainda que Mario Frias investiu recursos como pessoa física na produção do longa, o que chamou a atenção das autoridades devido à incompatibilidade do volume financeiro com a renda do parlamentar: foi um investimento alto em um curto período. 

A operação de hoje foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que retirou o sigilo da decisão e determinou que os investigados estão proibidos de deixar o país e de se comunicarem entre si. 

A ONG que recebeu o dinheiro das emendas parlamentares é a mesma que possui um contrato com a prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi. O contrato também é alvo de investigação pela Polícia Civil por suspeita de desvio de dinheiro público para o filme. 

“Dark Horse” é um longa-metragem em produção que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A obra passou a ser investigada após a divulgação de um áudio em que o então senador Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para concluir as filmagens. 

A operação de hoje da Polícia Federal revelou um suposto esquema de desvio de dinheiro público por meio de emendas do deputado federal Mario Frias destinadas a empresas ligadas à produtora do filme. Segundo as investigações, R$ 2 milhões em emendas foram repassados às organizações sociais Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, ambas vinculadas a Karina Gama, que também é proprietária da produtora Go Up. A Polícia Federal afirma que o recebimento dos recursos coincide com as movimentações ligadas à produção do longa, levantando suspeitas de que o dinheiro público tenha custeado hospedagem, refeições e outras despesas da equipe. 

De acordo com o inquérito, no mesmo período das gravações, a empresa NTT Brasil transferiu R$ 750 mil para a produtora Go Up. A NTT pertence ao mesmo grupo de empresas que recebeu R$ 700 mil em emendas de Mario Frias, por meio do Instituto Conhecer Brasil. Segundo a Polícia Federal, o dinheiro das emendas entrou pelo Instituto Conhecer Brasil, passou pela NTT e retornou à Go Up para ser utilizado no filme. 

O Instituto Conhecer Brasil é a mesma organização contratada pela Prefeitura de São Paulo, em um acordo de mais de R$ 150 milhões, para instalar pontos de internet Wi-Fi na capital paulista, contrato também investigado pela Polícia Civil. Além disso, as investigações apontam que o próprio deputado Mario Frias enviou mais de R$ 645 mil à produtora do filme em um intervalo inferior a dois meses. A transação foi considerada atípica, uma vez que os rendimentos mensais do parlamentar não ultrapassam R$ 45 mil.

Este é um dos inquéritos que apuram o recebimento de recursos para o filme. Outra investigação, sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF, analisa recursos do Banco Master que teriam sido direcionados à produção. 

Em uma rede social, Mario Frias declarou que sua defesa busca acesso ao inquérito há meses sem sucesso. O deputado afirmou que o dinheiro de suas emendas foi destinado a programas sociais e que colaborará com as investigações, fornecendo os documentos necessários. 

Procuramos a produtora Karina da Gama, mas não obtivemos resposta.

10/09/2026 – 22:00

Tags: 
Dark Horse jair Bolsonaro STF PF Flávio Bolsonaro Daniel Vorcaro Mario Frias Karina da Gama Banco Master

Fonte: TV Brasil — por rafael.guimaraes, publicado em 10/09/2026 21:53.

Conteúdo republicado sob licença CC BY 3.0 BR.

Redação

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